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Quem tem medo do fantasma do comunismo ?

Cuidado ! um fantasma está a espreita , ele vai entrar em suas casas , bater no seu cachorro , quebrar as suas lojas , roubar a sua escova de dentes , deixar “mendigos” entrar em seus lares e te deixar passar fome … ou é isso que a paranoia coletiva difundida pelo discurso hegemônico da direita fala . Mas quem tem medo do comunismo , do anarquismo ou de como queira chamar a revolução , são aqueles que realmente querem que você sinta medo , aqueles que te exploram , que te fazem viver uma vida que você se questiona se vale a pena ser vivida . São os Burgueses , a elite dominante , os opressores , o Estado do Capital ( se bem que é praticamente a mesma coisa ) . Mas são eles que devem ter medo quando o povo parar de ter medo . Paz entre os nossos e guerra aos senhores , não o contrário . Que o Poder seja Destruído e o Povo prevaleça !

Quem tem medo do fantasma do comunismo?
(Um conto de assombração para o capital dormir mal)

Dizem por aí que um fantasma ronda o mundo. Ele veste vermelho, lê livros, frequenta assembleias, não gosta de patrão e tem a ousadia de sonhar com um mundo sem fome. Um monstro! Uma ameaça! Um perigo iminente! É o comunismo, dizem os ricos com as mãos trêmulas… sobre suas taças de champanhe.

O comunismo — essa criatura assustadora que, pasme, defende saúde pública, moradia digna, comida no prato e fim do racismo. Horror dos horrores! Ele insiste em dizer que o mundo não precisa de bilionários, que ninguém deveria morrer de frio, e que trabalhadores são mais importantes que os banqueiros. Uma heresia para os templos do mercado.

Não é à toa que o capital treme: esse fantasma tem um histórico de assombrar impérios, derrubar tronos, expropriar latifúndios, alfabetizar massas, nacionalizar petróleo, e ensinar ao povo que ninguém liberta ninguém — o povo se liberta lutando.

A caça às bruxas vermelhas
Mas calma, cidadão de bem! Os exorcistas do sistema já estão trabalhando. Em cada esquina, há um comentarista da TV gritando “comunismo!” porque um professor citou Paulo Freire. Há políticos histéricos denunciando a “ditadura gayzista-marxista-indígena-sindicalista-feminazi” que, segundo eles, planeja ensinar crianças a pensar!

E o pobre trabalhador, que nunca leu Marx, mas sabe o preço do arroz, assiste a tudo e pensa:
— Se isso for comunismo… talvez eu esteja precisando.

A elite, em pânico, apela para a Bíblia, para o Exército, para as fake news, para a astrologia empresarial, para o pastor coach. Mas nada apaga a dúvida inquietante que lhes assombra os sonhos:
E se o povo acordar?

Afinal, o que querem os comunistas?
Queremos o fim da fome.
Queremos o fim da violência policial.
Queremos o fim do analfabetismo.
Queremos o fim do racismo.
Queremos o fim das cercas que dividem a terra.
Queremos que ninguém tenha que vender seu corpo ou seu tempo para sobreviver.
Queremos uma vida digna, livre e coletiva.

Sim, somos perigosos. Perigosamente comprometidos com a liberdade real — não essa liberdade de consumir o que não se pode pagar, mas a liberdade de ser, existir, criar, amar, decidir.

E quando dizemos “fim da propriedade privada”, não estamos falando da sua bicicleta, da sua geladeira ou da sua marmita. Estamos falando dos meios de produção: das terras que um latifundiário herdou e nunca pisou; das fábricas onde quem lucra nunca suja as mãos; das casas que servem só para especular enquanto famílias dormem nas ruas.

É esse o crime: querer justiça.

O pânico moral do capital
Eles nos acusam de querer revolução. Confere.
Eles dizem que somos contra a ordem. Depende: a ordem de quem?
Eles nos chamam de radicais. Sim, porque vamos à raiz das coisas.

E quando tentam nos calar, censurar, matar — como fizeram com Marielle, com Che, com tantos e tantas —, acreditam que mataram a ideia. Mas ideia não morre com bala. O que morre com bala é a ilusão de que podemos esperar sentados.

O que eles realmente temem não é o comunismo como ideia abstrata. O que os assusta é o povo consciente. É o trabalhador organizado. É o estudante questionando. É a mulher que não abaixa mais a cabeça. É o indígena que retoma a terra. É o negro que se levanta. É o corpo dissidente que se recusa a ser silenciado.
O que os assusta é a vida que insiste.

Abrace o fantasma
Portanto, não tema o fantasma do comunismo.
Tema o silêncio. Tema a apatia. Tema o conformismo.
Tema o sistema que devora tudo e ainda te convence de que a culpa é sua.

Porque o fantasma não veio para te assustar — ele veio te acordar.

Como dizia Marx: “Os filósofos apenas interpretaram o mundo de diversas maneiras; o que importa é transformá-lo.”

Como dizia Brecht: “Quando a injustiça se torna lei, a resistência se torna dever.”

Então, sim: que nos chamem de comunistas. Que sintam medo.
Porque quando o povo perder o medo, eles perderão tudo.

Nem dogma, nem dispersão: pela práxis revolucionária viva, ampla e insurgente
Vivemos tempos sombrios. O neofascismo cresce como praga bem financiada: ocupa as redes, as igrejas, os parlamentos, os quartéis e os corações corroídos pelo medo. A direita — com todos os seus delírios, contradições e farsas — se une para defender seus privilégios. Enquanto isso, nós, os de baixo, seguimos divididos.

Divididos entre siglas, entre doutrinas, entre linhas puras e impurezas ideológicas. Enquanto o capital não se incomoda em unir neoliberais, teocratas, milicianos e monarquistas numa só trincheira de dominação, nós ainda nos digladiamos sobre se Kropotkin é mais “coerente” que Gramsci, ou se Rosa Luxemburg teria ou não aprovado certo tuitaço.

Está na hora de dizer com toda clareza:
não há tempo para vaidades teóricas nem pureza doutrinária.
É tempo de práxis. Viva. Concreta. Radical. Unificada.

Contra o dogma e a ortodoxia: a teoria não é uma jaula
A teoria revolucionária é ferramenta — não religião. Marx nunca quis ser lido como profeta. Bakunin não desejava virar estátua. Fanon não escreveu para ser citado em congressos, mas para que os povos se libertassem com sangue, suor e inteligência coletiva.

    Teoria revolucionária não é para ser domesticada em artigos de revistas com fator de impacto, nem em defesas de doutorado que ninguém lê. Ela deve estar nas assembleias, nas ocupações, nas favelas, nas escolas públicas, nas quebradas, nos quilombos, nas aldeias, nos presídios.

    Isso não significa desprezar a teoria. Pelo contrário: é aprofundá-la, expandi-la, atualizá-la sem trair sua origem, sem enclausurá-la em jargões inalcançáveis ou molduras estanques.

    Ler Marx, Emma Goldman, Dussel, Silvia Federici, Angela Davis, Gramsci, Mészáros, Malatesta ou Mbembe é urgente — mas mais urgente ainda é entender o que eles fariam hoje, nas trincheiras reais, diante do bolsonarismo armado, da fome que voltou, da Amazônia incendiada, do genocídio policial.

    A teoria se faz no chão da luta
    Não há teoria revolucionária separada da prática viva. O que não se testa na realidade é devaneio. O que não se encarna nas contradições do povo vira fetiche acadêmico.

      A práxis é o que nos salva. É ela que transforma ideia em ação, tática em organização, revolta em estratégia. É ela que une o velho e o novo, o sonho e o concreto, o livro e o chão. Como disse Che Guevara:

      “A revolução é algo que se faz com a cabeça e com o coração.”

      Não basta saber citar o Capital. É preciso saber organizar um sindicato.
      Não basta saber a genealogia do anarquismo ibérico. É preciso saber ajudar uma ocupação a resistir à reintegração.
      Não basta desconstruir discursos em colóquios. É preciso construir alternativas reais no cotidiano: alimentação, educação, cuidado, autodefesa, comunicação, cultura.

      A revolução não começa com um manual, mas com o encontro entre consciência e necessidade.

      A urgência da unidade: os de baixo precisam parar de se engolir
      O sectarismo nos paralisa. A pureza ideológica nos divide. O egocentrismo de certos grupos (acadêmicos, militantes, influencers de esquerda) nos transforma em caricatura de nós mesmos.

        Enquanto isso, a extrema-direita ri — e marcha unida.

        Sim, há diferenças reais entre comunistas e anarquistas, entre marxistas e autonomistas, entre teóricos da dependência e libertários de base. Mas essas diferenças só são relevantes se servirem para enriquecer a luta — não para sabotá-la.

        Enquanto brigamos por pormenores doutrinários, eles passam boiada, queimam livro, expulsam indígena, matam preto, prendem professor e empilham corpos de LGBTQIA+ nas estatísticas da necropolítica.

        A burguesia não debate se sua exploração é keynesiana ou liberal.
        Ela explora.
        E nós debatemos se Rosa leu ou não corretamente o capítulo 24 do Capital.

        Chega.

        É hora de frente popular, rebelde e radical.
        De unidade entre quem luta — sem apagar divergências, mas sem permitir que elas nos destruam.
        De caminhar com quem organiza nas periferias, nos quilombos, nas escolas, nos assentamentos, nas redes, nas fábricas, nas universidades, nos terreiros, nos centros sociais, nos coletivos e nos sindicatos de base.

        O inimigo tem nome — e é real
        O inimigo é o capital, o colonialismo, o patriarcado, o racismo, o fascismo que voltou com outro rosto.
        É o agronegócio que envenena a terra.
        É o banqueiro que decide quem come e quem não.
        É o pastor que prega ódio em nome de Deus.
        É o militar que manda mais que o eleito.
        É o algoritmo que escolhe o que você pensa.
        É a bala que atravessa o corpo preto antes da pergunta.
        É o sistema que transforma o mundo em mercadoria.

          E esse inimigo não dorme. Não descansa. Não debate.

          Se a nossa luta não for coletiva, ampla e combativa, estaremos apenas teorizando dentro da cova.

          práxis ou morte
          A práxis revolucionária é a única saída — não como fórmula, mas como processo vivo. Ela se faz com diálogo e escuta, com acerto e erro, com crítica e autocrítica. Sem dogma. Sem culto a siglas. Sem medo de reaprender. Mas com firmeza, radicalidade e organização.

            Porque o neofascismo não recua com discursos bonitos.
            Ele recua com povo nas ruas, com organização de base, com solidariedade ativa, com comunicação popular, com cultura rebelde e com luta concreta pelo comum.

            Ou lutamos juntos — ou seremos derrotados separados.
            Ou construímos a revolução como prática do cotidiano — ou seremos só nota de rodapé nos livros do futuro.

            Como dizia Rosa Luxemburg: “Ou socialismo, ou barbárie.”
            A barbárie está batendo à porta. A resposta não virá de cátedras — virá de nós.

            Organizar, estudar, agir, cuidar, resistir, construir. Juntos. Agora.

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